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Sábado, 26 de novembro de 2022

Coluna

Carta aos netos

Uma adaptação da carta de autoria do jornalista, compositor, apresentador Flávio Cavalcanti

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Meu compromisso com esse portal de notícias, informações e entretenimento, é o de apresentar uma textopor semana.

Confesso-me envaidecido pelo espaço concedido e julgo-me incapaz de figurar entre os companheiros que também assinam seus maravilhosos textos.

Muitos dos fatos aqui apresentados expressam a minha opinião, outros são de autores diversos aos quais têm a minha admiração, ao ponto de querer compartilhar como os raros leitores.

No caso presente, o texto original foi escrito pelo jornalista, apresentador, animador e compositor Flávio Cavalcanti em 25 de outubro de 1975.

Trata-se de uma carta onde o apresentador de televisão dirige-se ao seu neto.

Mas vamos ao que importa:

“Querido neto, preciso lhe dizer que Vale a Pena.

Vale a pena crescer e estudar, conhecer pessoas, ter namoradas, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções, renovar todos os dias a sua fé na bondade essencial da criatura humana e o seu deslumbramento diante da vida.

Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga a sua recompensa; que não há livro que não traga ensinamento; que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar; que, se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto com a vida do ignorante.

Vale a pena ver que toda amargura nos deixa reflexão, toda tristeza nos deixa a experiência e toda alegria nos enche a alma de luz.

Valle a pena casar e ter filhos. Filhos que nos escravizam com o seu amor e nos concedem, com certa tolerância, o direito de renunciar em seu nome. Filhos que, ao crescerem um pouco, já discutem conosco, acham que sabem mais do que nós (e não raro sabem mesmo) e nós aprendemos com eles.

Vale a pena viver nestes assombrosos tempos de tecnologia, e descobrir na humildade que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar um segundo sequer a chegada da primavera.

Vale a pena viver, mesmo com todas as limitações a que o ser humano está sujeito, quando lembramos que o surdo vê a luz do Sol, que o cego ouve a música das coisas, que o mendigo sonha com as estrelas e que não precisamos sequer de todos os sentidos para participar do esplendor da Criação.

Vale a pena, mesmo quando você descobrir que isto que estou tentando ensinar é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática e cada um tem que aprender por si mesmo: que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.

Vale a pena até mesmo envelhecer como eu e ter um neto como você, que me devolveu a infância.

Vale a pena, ainda que eu parta cedo e suas lembranças de mim se torne vaga.

Mas, quando outros disserem coisas boas de seus avós, quero que você diga simplesmente isto: - Meu avô foi aquele que me disse que valia a pena ...e não é que ele tinha razão?!”

 

Fonte/Créditos: Gilson Lima

Créditos (Imagem de capa): Arquivo pessoal

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