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Sábado, 04 de dezembro de 2021
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Sorocaba - RMS

Profissionais buscam meios para manter a relação direta com os pacientes, através da tecnologia

A tecnologia está se tornando cada dia mais presente na medicina

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Assim como em todas as profissões, a tecnologia está se tornando cada dia mais presente na medicina. A telemedicina, cirurgia robótica, prontuários eletrônicos em nuvem são exemplos deste inevitável avanço. Por isso, os médicos têm buscado meios para manter a relação direta com os pacientes.

O pediatra Edgard Steffen tem 90 anos, sendo 65 deles dedicados à carreira e ainda à docência em parasitologia médica. Ele entende que, atualmente, a profissão está mais técnica e eficiente. No entanto, admite que o relacionamento afetivo médico/paciente ficou para trás. "É importante valorizar e desenvolver mais o lado humano da medicina sem perder de vista a atualização e a aplicação da tecnologia", acrescenta o ortopedista e presidente da Sociedade Médica de Sorocaba, Eduardo Luis Cruells Vieira.

Outro que está preocupado com o comprometimento da relação médico/paciente é o ginecologista obstetra Sérgio Borges Balsamo. Na profissão desde 1962, ele afirma que "na medicina dos tempos atuais há muito aparelho e pouco contato com as pessoas".

Conta ainda que antes era feita a anamnese – entrevista realizada pelo profissional de saúde com o objetivo de descobrir o ponto inicial no diagnóstico de uma doença. "Sondávamos o início e a evolução da doença. Investíamos tempo para descobrir o problema", lembra. "Hoje, pouca gente põe a mão no paciente."

Formado em 1977, o cirurgião pediátrico Wilson Olegário Campagnone, diretor distrital da Associação Paulista de Medicina, afirma que a profissão vive tempos de muita tecnologia e pouco carinho. Já para a reumatologista Mariana Ortega Perez, 37, a medicina dos dias atuais exige "eterna reinvenção".

Especialista em medicina do trabalho e em saúde pública, Antônio Sérgio Ismael, 69, acrescenta mais uma dificuldade encontrada pela categoria nos dias de hoje: a proliferação de escolas médicas sem condições para o ensino. "Também a saúde pública tem sido aviltada pelos vários estratos de governo, o que nos afeta diretamente", afirma. "A deterioração das condições de trabalho interfere na nossa saúde física e mental."

A Covid-19

Se os profissionais veem com preocupação o distanciamento dos pacientes imposto pela inovação e tecnologia, por outro lado são unânimes ao apontar a medicina e a ciência como fundamentais no enfrentamento à Covid-19.

Eduardo Vieira, por exemplo, ressalta que desde a identificação do vírus, passando pela epidemiologia e o atendimento em infectologia, UTI e reabilitação, tudo depende diretamente do médico e da equipe multiprofissional. "A medicina foi de suma importância do ponto de vista assistencial e científico", completa Mariana Ortega.

Edgard Steffen, inclusive, diz que a pandemia foi capaz de contrariar o que chama de "medicina anônima" praticada atualmente e trouxe um relacionamento muito afetivo entre pacientes e equipes que atuam no controle e combate à Covid-19.

Antônio Sérgio Ismael lembra do comprometimento e da exposição dos médicos e demais profissionais de saúde frente à doença. "Pagamos um preço alto", lamenta. "Desde março 2020, quando perdemos o primeiro médico para a Covid-19, já foram outros 624 mortos pela doença no Brasil."

Dia do Médico

Nesta segunda-feira (18), comemoramos o Dia do Médico. Antônio Ismael, Edgard Steffen, Eduardo Vieira, Mariana Ortega, Sérgio Balsamo e Wilson Campagnone falam com orgulho sobre a profissão que decidiram seguir.

"Eu serei médico até o último dia da minha vida. Sabe por quê? Tivemos de aprender atuando. Depois de oito dias de formado, já estava trabalhando no serviço público e, logo após, com consultório aberto", recorda Edgard. "Enfrentei pandemia de varíola, gripe espanhola, sarampo, difteria e muitos males infantis que foram desaparecendo ou sendo controlados."

O cuidado com o próximo é o que mais encanta Sérgio Balsamo. "Deus nos dá uma bênção. A minha foi a inteligência e a dedicação em cuidar das pessoas. Eu escolhi dedicar esta habilidade às mulheres do INSS", revela.

Eduardo Vieira teve o pai – também médico – como exemplo e acrescenta: "O que mais me orgulha é ver que posso auxiliar na recuperação da função e na melhora da dor de uma pessoa que sofreu uma lesão. Assistir o paciente nesse processo traz muita satisfação pessoal".

Mariana Ortega usa a profissão para fazer a diferença na vida das pessoas. É isso que a motiva a trabalhar, de forma incansável, todos os dias. Wilson Campagnone pensa da mesma forma que a colega de profissão. "Me orgulho muito de ser médico e poder cuidar da vida das pessoas. Pena que o tempo passa rápido demais."

Fonte/Créditos: Marcelo Macaus

Créditos (Imagem de capa): Divulgação / Eduardo Vieira

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